TAP-2

A vitória dos <em>lobbies</em>

Demagogia, baixa política e mudanças súbitas de opinião são alguns dos ingredientes de que é feito o mais recente «caso TAP». Após diversas declarações – orais ou escritas – de apoio à defesa de uma TAP unida, feitas por diversos membros do Governo e do Conselho de Administração, eis que todos mudaram de opinião. Em lado nenhum, nos programas eleitorais ou no programa de Governo, surgem as intenções agora defendidas para a empresa. Pelo contrário, lembra Luísa Ramos. Na campanha eleitoral foi sempre assumida uma posição contrária à segmentação. Mesmo depois da tomada de posse do executivo, o então ministro Valente de Oliveira assegurou que o projecto para a transportadora aérea não passava pelo seu desmantelamento.
Coincide com a entrada de Cardoso e Cunha para a presidência do Conselho de Administração a súbita mudança de atitude do Governo. Paradoxalmente, o novo responsável afirma que recebeu do executivo a orientação para privatizar, no imediato, a TAP. E em partes.
Para além do ministro e do secretário de Estado, entretanto demitidos, também o administrador-delegado Fernando Pinto alterou a sua opinião face ao futuro da empresa. «Já concorda com a segmentação», lamenta Luísa Ramos, adiantando que os notícias vindas a público relacionadas com os ordenados elevados do administrador podem estar ligados a manobras tendentes à sua substituição por gente de confiança do PSD. Mas o que importa é discutir políticas e não pessoas, afirma. Uma certeza tem: o lobby da privatização e da segmentação venceu, pela mão de Cardoso e Cunha.
Para além desta certeza, tudo o resto são dúvidas. Que pretenderá da TAP este lobby? José Sá Marques, membro da célula do PCP, adianta uma convicção: se este caminho for prosseguido, a TAP corre o risco de se transformar numa empresa regional. Miguel Valente concorda e lembra que há interesse por parte da Iberia em entrar na TAP.
«O Governo português não tem de ser subserviente aos ditames da comissão europeia e deve ajudar a TAP», afirma Luísa Ramos. A Comissão Europeia proíbe que os estados injectem dinheiro nas companhias aéreas, mas noutros países encontraram-se formas criativas de se apoiar as empresas de bandeira. Esta comissão pretende ainda chamar a si a negociação dos voos para os Estados Unidos, que hoje é feita ao nível dos diversos estados. «Obviamente que são as maiores companhias as mais bem posicionadas para manter esses direitos de voo», considera Luísa Ramos, que acusa o Governo de fazer o jogo do capital estrangeiro contra os próprios interesses nacionais.


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